Dia desses fui assistir ao The help no cinema aqui de Murfrees. O filme não chegou a me impressionar muito – exceto pelas excelentes atuações de Viola Davis e Octavia Spencer. Uma versão “princesas da Disney” para o espinhoso e sangrento tema da segregação racial do sul dos EUA.
Durante a exibição meu nariz não parava de fungar. Desenvolvi uma rinite alérgica aqui nesse Tennessee que, como um encosto, não me larga e não me deixa viver a plenitude de meus passos! Um verdadeiro inferno.
Já em casa, abri o livrinho do convênio e fui no primeiro consultório que tinha lá na lista. B. Hodges MD, lá fui eu. Fui sem tomar meu remédio da alergia pois queria que a médica tivesse a oportunidade de me examinar no meu máximo grau de sofrimento possível para, com isso, me dar um remédio matador.
Eu mal conseguia respirar. Estava de muco até a tampa! Ao engolir saliva sentia que sufocaria no meu próprio ranho. Um nojo só!
E eis que surge Dra. Hodges. Uma senhora negra, de seus 60 e poucos anos, A CARA da Octavia Spencer, do filme que eu acabara de ver!
Começamos a conversar. E a consulta foi longa! Com aquele sotaque do sul Dra. Hodges perguntou de um tudo! E ouviu, com a atenção de uma criança de 5 anos. Anotando tudo em seu bloquinho.
Me contou que era ela uma vítima do sistema de segregação racial do sul do país. Comeu o pão que o diabo amassou. E para estudar medicina teve que ralar muito. Se mudou para Wisconsin mas, ainda assim, tinha que se sentar em carteira diferente da dos brancos. Credita seu diploma a deus.
A boa conversa da velhinha de fala mansa quase me fez esquecer da rinite. E no final da consulta ela me receitou o remédio que acabaria de vez com meu calvário. Me fez prometer que tomaria o remédio de 4 em 4 horas até acabar a cartela, mas ressaltou que aquilo de nada adiantaria se uma coisa muito importante: a pray. Pegou minhas mãos e começou a orar, como uma pastora de filme americano. Uma oração que durou, no mínimo, cinco longos minutos. Quem me conhece sabe o quanto essa cena me foi surreal.
O fato é que, tomei o remedinho que ela mandou (sem a fidelidade prometida em relação aos horários) e me sinto bem melhor. O nariz ainda funga, mas já não me sinto como um artista loucão, me afogando no próprio vômito.
Amen, Dr. Hodges, amen…










