De virada 3
Abril 28, 2008
De virada 2
Abril 24, 2008
Amigos, insisto em convidá-los para participar da quarta edição da Virada Cultural.
A produção não está medindo esforços para que tudo corra bem e para que o público tenha acesso à “crème de la crème” da cultura nacional em 24 horas incessantes de lindos espetáculos.
Se vocês forem, passem lá no Piano na Praça. Estarei por lá…
Jabá
Abril 18, 2008
Recebi um email de um amigo que está angariando votos para um outro amigo, inventor, em um concurso de invencionices. Como eleição é coisa séria fui pesquisar sobre o que está sendo votado e posso dizer que o cara ganhou minha aprovação.
Ele inventou uma cadeira de rodas que sobe escadas! Mas não é apenas uma “pardalzice”. O projeto dele é, de fato, muito sério e muito útil para que cadeirantes conquistem mais idependência. Além disso, segundo o cara que me mandou o email, ele passou boa parte da vida estudando muito para desenvolver o protótipo.
Mas como algumas votações não são tão sérias assim, nessa se pode votar várias vezes. Melhor prá ele. Ok, é um quadro do Faustão, mas a projeção que o cara vai ter depois disso compensa o mico. Portanto, por favor, dêem seu crédito e seu apoio. O nome dele é Ary Prado Júnior e sua invenção, repito, é a cadeira de rodas que sobe escadas. Votem aqui!
O belo pelo belo?
Abril 15, 2008
Meu querido amigo Marcelo Lucena, o Loiro, me mandou, em 10 de abril – NO ENDEREÇO ANTIGO, MARCELO -, um email que pedia assinaturas para impedir que o artista plástico Guillermo Vargas Habacuc representasse a Costa Rica na Bienal Centroamericana de Arte.
Para quem não se lembra, esse Guillermo foi aquele cidadão que amarrou um cachorro de rua, doente e faminto, numa cordinha e o deixou em exposição numa prestigiosa galeria de arte em Manágua. O cão acabou morrendo de problemas decorrentes da desnutrição.
Numa pesquisa rápida e nada científica me deparei com o argumento do artista: “O que me importa é a hipocrisia das pessoas. Um animal assim vira o centro das atenções quando está em um local onde todos querem ver arte, mas ninguém ligaria se ele estivesse passando fome nas ruas. Nenhum visitante da exposição veio soltá-lo, alimentá-lo, dar-lhe água, ou ligou pedindo ajuda à polícia. O público não fez absolutamente nada. Se o cão não tivesse morrido um dia depois do encerramento da mostra, teria morrido de qualquer maneira nas ruas”.
Não pretendo, aqui, justificar o que ele fez – inclusive, assinei a petição – mas o argumento, admitamos, é consistente. Não consigo nem contar quantos cães famintos e doentes já vi de relance pelas ruas sem tomar nenhuma providência e, pior, ciente de que o destino deles era o sacrifício no centro de zoonoses.
Ao ler o email do Marcelo, imediatamente me veio à mente a imagem da apresentadora Luísa Mel, defensora de poodles, chorando aquele choro de mentirinha, com aquelas lágrimas secas e com aquele biquinho tremeliquento. Que tipo de protesto surte mais efeito?
Outra lembrança que me veio à cabeça foi a daquela fotografia de 1993, que mostrava uma criança sudanesa agonizando de fome enquanto um urubu, ao lado, só esperava que ela morresse para devorá-la. O fotógrafo Kevin Carter ganhou o prêmio Pulitzer de 1994 pela captura da imagem e, naquele mesmo ano, acabou cometendo suicídio.
Os rumores sobre a indicação de Guillermo para participação na Bienal já renderam mais de 2 milhões de assinaturas de protesto. Isso porque ainda são apenas rumores!
Eu, porém, ainda creio no bom senso. Tudo bem… O cara fez merda, mas fez seu estardalhaço, chamou a atenção das pessoas à situação dos cães abandonados, à fome e à miséria como um todo. Papel social da arte, ok… O problema é que nada, nem a finalidade mais nobre, justifica uma crueldade. Ou justifica?
Quem também não acha necessário que Guillermo exponha sua “obra” novamente, por favor, assine aqui.
Falta de juízo
Abril 9, 2008
Desde o início dos fatos venho dizendo, nas conversas informais, cotidianas, que é um absurdo o que estão fazendo com o casal – pai e madrasta da menina Isabella, que foi atirada pela janela do prédio.
Agora, com a repercussão das investigações e com a divulgação do tal vídeo do mercado estou convencida de que todo esse fuzuê não passa de uma grande egotrip de um promotor que, ao invés de justiça, deseja promover-se a si mesmo.
Só uma mente muito fantasiosa – de alguém que anda assistindo a muitos episódios de Law & Order – é capaz de colocar o pai como principal suspeito da morte da filha e insistir nisso pedindo até a prisão do casal.
Esse pai e essa madrasta estão há dias, longe dos filhos mais novos e foram privados, inclusive, de ir à missa de sétimo dia da garota. Um trauma familiar que transcende a própria morte de Isabella.
Parafraseando Barbara Gancia, aposto um picolé de limão que o casal é inocente e que esse promotor injusto e vaidoso um dia terá o que bem merece.
De virada
Abril 3, 2008
No ano passado, munida de uma utilíssima credencial, percorri todos os palcos da Virada Cultural acompanhada pelo Zé Mauro – o cara.
Passamos boa parte da madrugada assistindo às apresentações nos backstages e correndo de estilo em estilo feito loucos.
O Zé é o organizador da coisa toda. E é impressionante o trabalho que ele faz nessa época do ano. E não pensem que ele conta com uma puta equipe. Aliás, é uma puta equipe, mas é também uma equipe muito pequena.
Ele nos mostrava as atrações como se aquilo fosse uma festa no quintal da casa dele. Eram mais de trezentos espetáculos e ele sabia, de cor e salteado, tudo o que ocorria em cada um dos palcos, em cada canto daquele centro, em cada teatro da periferia!
Estávamos no palco dos Racionais quando começou o tal do tumulto tão divulgado pela mídia. Mano Brown pedia calma, mas sem interromper o show, pois, dali de cima, se percebia que a agitação era um fato isolado. Fazendo uma grossa comparação: imagine um rosto bem redondo. Imagine uma espinha no canto direito da testa. O tumulto era a espinha e o resto do rosto era o público que se divertia. A espinha subiu na banca de jornais, quebrou a porta de um comércio e foi rapidamente contida. No entanto, meus colegas da grande imprensa não mediram esforços para exagerar os fatos como lhes convinha.
Esqueceram de dizer que, tecnicamente, tudo correu inacreditavelmente bem! Não ocorreram atrasos ou faltas. Nem um único cabo de som ou peça de iluminação deu pau e todos os artistas se apresentaram com emoção e boa vontade. Dados como o número de pessoas (3 milhões) que assistiram aos grandes nomes da música, da dança e do teatro foram omitidos e a Virada Cultural de 2007 ficou marcada por aquele lamentável episódio.
A edição desse ano – que acontece nos dias 26 e 27 de abril, das 18h às 18h – contará com mais de 350 atrações e terá reforço na segurança. A programação está impecável! Tudo tão bem pensado, tão bem costurado que é difícil imaginar que a produção conta com apenas uma meia dúzia de produtores apaixonados.
Recomendo que todos compareçam, que passeiem pelo centro, que percorram os palcos. Foi uma experiência incrível que eu pretendo repetir, curtindo muito, cada segundo.
Tenho certeza de que nesse ano, meu amigo Michum estará lá comigo na memória, na emoção. Aquela foi nossa última balada juntos. E foi incrível! Uma lembrança tatuada!
Confiram a programação completa aqui.


