Arco-íris

Maio 22, 2008

Enquanto Júlia, a podóloga, não me atendia, fiquei distraindo o pensamento na locadora de vídeo ao lado. Enquanto escolhia um belo filme para assistir àquela noite, escutava, involuntariamente, a conversa de uma cliente com o dono do estabelecimento:

- Toda sexta!

E ele dando baixa nos filmes:

- Toda sexta você vai lá? Como é o nome mesmo?

- É “The week”. Tê, agá, ê, dábliu, ê, ê, tipo, dois ês, ká.

Entediado, o proprietário roqueiro (mais roqueiro do que proprietário), fingia interesse:

- E que som toca?

Ela, loura, lisa, maquiada, de roupa preta brilhante, com a bolsa no braço e a chave do Eco Sport na mão:

- Na sexta passada o DJ tocou muuuuuita Madonna, mas era, tipo, daquela época em que ela era mais legal, sabe? Do Like a Virgin… Não sei se você gosta, mas eu adoooro!!!

- Gosto, gosto…

Eu já havia escolhido meu filme, mas não quis interromper o papo, embora pudesse ver nos olhos dele uma súplica para que o fizesse. Ela prosseguia:

- O único problema dessas casas é que estão sempre cheias de gays. Nãããooo… Nada contra, eles são super engraçados e tal, mas é que às vezes a gente quer ficar entre semelhantes, né? Pô, a gente chega num cara, aí vai ver: ele é gay! Sacanagem né?

Virando-se para mim, o roqueiro pergunta:

- Vai levar “Piaf”? Boa escolha! É muito bom!

E ela:

- Mas também, já aconteceu de um cara chegar em mim e eu ficar na dúvida se era gay ou não. No final das contas era daquele tipo que gosta dos dois, sabe? Aí não dá, né? Hahahahahá! Imagina?

- O “Piaf” você devolve amanhã, tá? Não quer mais nada? Tem esse novo com a Angelina Jolie. A turma tem gostado.

- Pô, eu fico pensando… A balada é super legal, sabe? O som é bom, o DJ é demais! A Madonna da semana passada foi o “must”! Mas demais mesmo, sabe? O ambiente é bom, só tem gente bonita… Mas só tem balada assim para gays! Pôxa, porque não fazem uma balada dessas prá gente normal? Não é mesmo? Pô, gente normal também gosta disso!

Gente normal???? Ô sua animal, você está ouvindo o que você está falando?

Claro que eu não disse isso. Apenas pensei. Mas o clima esfriou. O roqueiro me olhou assustado. Fizemos caras de espanto e só a doida não percebia o que estava acontecendo ali.

- Você vai adorar “Piaf”. Mas também, com essa história de vida, não dá prá sair um filme ruim….

- É, acho que eu vou gostar… Agora deixa eu correr que a Bia já deve estar me esperando. Hoje a gente comemora um ano de casadas!

- Parabéns! Mande um beijo prá ela!

- Obrigada! Até amanhã!

Não existe nenhuma Bia, mas podeira existir, não é? Pelo menos, envergonhada a moça ficou. Vai pensar melhor antes de ficar falando bobagem por aí. Espero.

Boa parada a todos no domingo!

Jabá

Maio 16, 2008

Domingão de sol, depois da macarronada da sogra, nada melhor que curtir a fineza da bossa nova na voz de grandes intérpretes.

O show Bossa Nova na Garoa comemora o jubileu de ouro da bossa em grande estilo: juntos no mesmo palco, Orquestra Arte Viva, Banda Mantiqueira, Roberto Menescal, Toquinho, Demônios da Garoa, Os Cariocas e outros.

Apareçam! Vai ser demais!

Bossa Nova na Garoa
Domingo, 18 de maio, às 15h
Parque Villa Lobos
Livre, lindo e gratuito!

Sorte, meu amor

Maio 5, 2008

Amo 99% das pessoas com quem já trabalhei um dia na vida. Me considero, por isso, uma pessoa de muita sorte. O 1% fica por conta de umazinha meio boba, fura-olho, puxa-tapete que, oxalá, talvez já nem seja mais assim.

Por esses dias recebi uma mensagem de uma dessas pessoas amadas. A Rosinha foi minha chefe no início da minha carreira, numa época em que eu sabia ainda menos do que sei hoje sobre TV e produção (acreditem, houve um dia assim).

Competente e funcionária leal, a Rosa tinha um grande problema: misturava vida pessoal com vida profissional com muita facilidade. Criava desafetos com isso. Passou por um período complicado na vida e recentemente se reergueu com classe e dignidade fazendo o que sempre fez: boa produção, amigos e inimigos.

Foi com a Rosa que eu aprendi a lidar com chefia, equipe e trabalho. Foi com a Rosa que eu aprendi, especialmente, a trabalhar de mãos dadas com os colegas. O quarteto Dani-Babi-Vi-Van é, querendo ou não, fruto de uma Rosinha dedicada, engraçada, incoerente e total e absolutamente passional.

Depois dela, veio a Aléxia, outra mestra, outra paixão! Merecedora, também, de um post próprio. Sim, de fato, sou uma pessoa de sorte!