Corre, corre, corre
Dezembro 4, 2008
Certa vez, um bom – ótimo – amigo botequeiro, redator publicitário, dos bons, me contou como fora demitido da agência de publicidade onde trabalhava:
Sexta às seis da tarde, a caminho do happy hour, ouvindo Ozzy no som do carro ele recebeu uma ligação do chefe no celular:
- Alô, Alex, preciso que você volte imediatamente. Aquela campanha que era prá daqui a quinze dias foi adiantada. O cliente quer tudo na mesa dele na segunda-feira.
- Mas já são quase sete horas! Eu já estou longe e tá um puta trânsito prá voltar!
- Eu sei, mas você tem que voltar. A equipe toda está voltando.
Olha, eu nem sei se o meu bom amigo pensou antes de dizer, mas acabou soltando essa:
- Olha cara, eu acho super legal esse seu carinho pelo trabalho, acho do caralho esse papo de amar o que faz, mas, na boa, EU não trabalho porque eu gosto. Eu trabalho porque eu preciso! Desculpa aí, mas não vai dar prá voltar não.
E não voltou. Nunca mais! Foi prestar concurso público. Ainda não entrou, mas inteligente do jeito que é, vai entrar já já.
Mas estou contando essa historinha só prá mostrar como o trabalho deixa a gente louco! Mesmo quando a gente é bom naquilo o que faz, tem momentos em que a gente surta!
E mais do que isso: a gente se afasta mais e mais do que realmente importa. A gente se afasta dos amigos, da família, do blogue e do boteco. E quando a gente se dá conta o ano acabou! E acaba nos deixando aquela sensação de sexta-feira às seis da tarde… Em janeiro começa tudo de novo. Mas, para o ano que vem eu prometo mais amigos, mais família, mais blogue e mais boteco.
Feliz Ano Novo!