Escrevo esse texto pensando muito na A., porque sei que a pessoa que partiu era não somente amada como era fundamental para sua serenidade, sua existência e suas escolhas.

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Era tudo o que não precisávamos. Notícia de despedida, a definitiva, num domingo frio e chato.

Há quase exatos dois anos passei pela mesma situação. Era um sábado, frio e chato como hoje. Perdi um amigo não apenas amado, mas fundamental para minha existência, minha serenidade e minhas escolhas.

Ainda não me recuperei disso e acredito que nunca vá me recuperar. Vou apenas conviver com isso para sempre. Não há um único dia em que eu não pense nele.

Meu coração está novamente frágil hoje. Toda aquela turma – e que turma linda! – vai passar por essa dor e vai conviver com ela para sempre. Sou solidária e sinto também. A Sandra é uma daquelas pessoas que a gente realmente agradece por ter conhecido, por ter convivido. Ficou tão pouco na minha vida e já me deu valores tão preciosos…

Para ela, que partiu, desejo que esteja entre anjos e ídolos. Para os amigos que ficaram, meus ouvidos e meus ombros estão à disposição para ouvir, acalentar e incompreender junto durante todo o tempo que for preciso. Um, dois, três anos até, pois lembrar da pessoa querida que partiu é como mandar um recado. É como dizer o que não foi dito, mas foi sabido. A gente sabe que ela está ouvindo.

One Response to “Não há ateus na despedida”

  1. Lygia Mara Says:

    Sinto saudades do que não existiu….Da história que ela não contou, dos ensinamentos dela, das roupas que ela não usa mais, das músicas que não conhecemos.
    Daudades da cadeira com as almofadas coloridas, das cantorias….
    Vamos sempre ficar com a sensação que ela vai entrar pela porta e dar bom dia.
    Do mesmo jeito que eu sempre acho que depois da minha avó vai entrar meu vô pela porta da sala.
    Saudades é uma sensação estranha que não tem explicação.


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