O Tennessee está infestado de “cicadas”. Por aqui pronunciam-se “siqueiras”, daí o título do post. No Brasil são conhecidas por “cigarras”.
Segundo habitantes locais, elas aparecem a cada 13 anos (já segundo os cientistas, o fenômeno ocorre a cada 17 anos). Com seus olhos cor de laranja e suas asas fluorescentes voam bebadamente, fazem o barulho de mil cascavéis chacoalhando seus guizos como se estivessem bem no quarto ao lado, reproduzem-se e morrem. E só. E vejam só que sorte a minha: justamente o ano do meu primeiro verão em terras estadunidenses é o décimo terceiro ano do ciclo reprodutivo delas!
Justo eu que tenho um problema quase que claricelispectoriano com insetos! Uma vez, quando criança lá em Tietê, um besouro se enroscou no meu cabelo, bem na altura da minha orelha. Ficou se debatendo e fazendo aquele barulho dos infernos. Os adultos ao redor começaram a bater na minha cabeça para tentar espantar o bicho. Levei tanto tapa que nem sei… Nada adiantou até que um deles resolveu mergulhar minha cabeça na piscina para “afogar” o inseto. Deu certo. Ele morreu e foi retirado cirurgicamente da minha cabeleira pela tia Nancy, que nem deve mais se lembrar desse episódio.
Mas eu lembro. E bem.
Vejo pouca diferença entre uma cigarra e uma barata. Ambas são feias, desagradáveis e cabeçudas. Ambas voam como bêbados em final de festa. Sem rumo, sem freio, para cima daqueles que têm medo.
Ontem mesmo uma delas bateu na minha orelha direita (a mesma orelha onde o besouro se enroscara anos atrás). Precavida pelos ricos ensinamentos da vida, eu estava com os cabelos devidamente presos. Houve nenhum dano maior a não ser o susto e eu mesma batendo em minha própria orelha gritando “ela está em mim, ela está em mim”!
Parece que esse inferno vai durar até o final do verão americano, o que deve acontecer lá para o dia 22 de SETEMBRO!
Para minha alegria e alento percebi hoje que posso contar com a amizade e cooperação dos pássaros locais. Eles adoram comer as nojentinhas. Pois espero que se fartem! Quem sabe assim não abreviam meu sofrimento?
hahahaha… a cena do besouro não vai sair da minha cabeça tão cedo.
o problema é que seu post me fez lembrar de outra cena que me custou muito para esquecer. nada mais justo do que dividi-la com você
ainda morava em campo grande e tinha um cão da raça cocker spaniel.
num dia desses, cheios de cigarras cantando pela cidade, fui passear com o bicho.
na volta, milessegundos após soltá-lo da coleira, o arrependimento…
o cão já tinha percebido uma cigarra no muro de casa, numa altura excelente para ele.
antes que eu pudesse ter qualquer reação, o inseto já estava na boca dele.
cantando e se debatendo. até que um barulho crocante interrompeu o canto.
até hoje tenho um embrulho no estômago quando me lembro disso.
O pior é que tem gente que come cicadas. GENTE! Fritinhas e tals… Odeio insetos. E seu post me fez lembrar de um episódio em Ubatuba, no apê do Juquinha. Tinha uma barata ENORME no quarto e – não lembro direito, mas acho que era você – alguém queria porque queria que eu entrasse no quarto prá dormir! Dormir!!! Lembro que eu parecia um gato sendo levado para o banho! Hahahaha! Pô Paulo, não consegui ir na sua casa, né? Na minha próxima visita vossa residência será a primeira a ser visitada! Bjs!