Em crise
Outubro 2, 2008
Crise da economia americana, crise da bolsa e crise da Dani, que não sabe bem em quem votar no domingo.
Sempre achei importante votar. No dia do pleito, depois de “confirmar” o candidato na urna, sinto aquele orgulho de ter cumprido com mminha obrigação de cidadã. Coisa bem nerd mesmo…. Meu voto sempre foi um bocado coerente com meu discurso e minhas idéias e isso é bom.
Eu porém, nunca fui muito de estudar as opções. Assisto aos debates, leio as manchetes dos jornais e, confesso, assisto ao horário eleitoral gratuito. Na hora de votar eu sei, entre outras coisas, por exemplo, que não se deve votar no Maluf ou na Dra. Havanir. Isso me deixa segura a respeito do meu senso de responsabilidade – ou “senso da noção”, como diz minha amiga Bete. Sou profundamente contra votar nulo ou em branco. É um desperdício, além de ser uma comodidade meio burra.
Nessas eleições para prefeito, no entanto, estou confusa. Não exatamente porque as opções sejam ruins, mas porque estou, pela primeira vez, em dúvida entre escolher baseada na coletividade ou em causa própria. E isso, para esta pisciana que vos escreve, é horrível.
Por partes:
Ivan Valente, Ciro Moura , Anaí Caproni, Levy Fidelix, Edmilson Costa, Renato Reichman, Paulo Maluf e Geraldo Alckmin: sem chance!
Soninha: é fofa! É bem intencionada. É inteligente, interessada. Fala bem e tudo o mais. Eu estava quase me decidindo por ela quando meu amigo Jacri me fez imaginar a cena dela entrando na prefeitura de All Star. Não orna.
Marta: é escrota! Já tivea oportunidade de conviver com ela e digo: é escrota! Mas fez o bilhete único, comprou aquela briga seríssima com os perueiros, criou os CEUs e admitiu, num gesto de rara humildade, ter se equivocado no lance das taxas. Além disso, tem apoio do governo federal. Creio que faria um bom governo.
Kassab: é do DEM! E me dói o coração cogitar a hipótese de votar em um candidato do DEM. Mas viabilizou a “Virada Cultural”, aquele evento do qual sou completamente fã. Mantém um staff na Secretaria da Cultura que me é muito querido, além de muito competente. Votar nele é garantia de mais quatro edições da “Virada”, de inúmeras mais edições do “Piano na Praça” e de emprego daquela gente boa e bronzeada.
Espero ter, até domingo, tomado uma boa decisão. E espero que meus pares façam o mesmo e que, por favor, não elejam figuras como Lacraia e Sérgio Mallandro, assim como fizeram com Clodovil. Porque daí, aquilo que gente de bem está tentando arrumar vira circo de vez.
Ai, Ivetinha, que prova mais difícil!
Sai Ebó!!!
Setembro 10, 2008
Para o bom entendedor, uma letra basta:
“Tu, pessoa nefasta
Vê se afasta teu mal
Teu astral que se arrasta tão baixo no chão
Tu, pessoa nefasta
Tens a aura da besta
Essa alma bissexta
Essa cara de cão
Reza
Chama pelo teu guia
Ganha fé, sai a pé, vai a pé a Bahia
Cai aos pés do Senhor do Bonfim
Dobra
Teus joelhos cem vezes
Faz as pazes com os deuses
Carrega contigo uma figa de puro marfim
Pede
Que te façam propícia
Que retirem a cobiça, a preguiça,
A malícia
A polícia de cima de ti
Basta
Ver-te em teu mundo interno
Pra sacar teu inferno
Teu inferno é aqui
Pessoa nefasta
Tu, pessoa nefasta
Gasta um dia da vida
Tratando a ferida do teu coração
Tu, pessoa nefasta
Faz o espírito obeso correr
Perder peso, curar, ficar são
Solta
Com a alma no espaço
Vagarás, vagarás, te tornarás
Bagaço
Pedaço de tábua no mar
Dia
Após dia boiando
Acabarás perdendo a ansiedade,
A saudade
A vontade de ser e de estar
Livre
Das dentadas do mundo
Já não terás, no fundo
Desejo profundo por nada que não seja bom
Não mais
Que um pedaço de tábua
A boiar sobre as águas
Seu destino nenhum
Pessoa nefasta”
(Gilberto Gil)
Já não aguento mais
Julho 21, 2008
- Gente que fala no cinema;
- Gente que joga embalagem de snacks na rua;
- Caso Isabela;
- Secura;
- Vizinho barulhento;
- Gripe de sobrinho;
- Atriz que já não mexe mais a sobrancelha;
- Gente que sabe tudo, de todos os assuntos;
- Gente que acha que tem muito a ensinar e nada a aprender;
- Gente que acha que tem muito a criticar e nada a aprender;
- Gente que julga, julga e julga;
- Gente que bebe demais;
- Gente que não experimentou, mas não gosta;
- Gente que cobra e exige;
- Gente que suga;
- Aquela carinha melosa da Ingrid Betencourt;
- O desrespeito sistemático pelo consumidor;
- Muita metafísica e nenhuma praticidade.
Mira, mas, por favor, erra, ok?
Onde está o Matt?
Julho 2, 2008
Recebi esse link do Mau e digo: é demais!!!
Esse sujeito, Matt Harding, visitou 42 países em 14 meses para produzir esse vídeo. Ficou lindo!
Assistam e depois me digam, ok?
Casais são legais sim.
Junho 12, 2008
Invocação
Junho 9, 2008
Não acredito em julgamentos. Por isso – e por outra infinidade de motivos – não acredito na maioria dos deuses que os crentes dizem existir.
Se deuses representam o amor, a flor, o rio da aldeia e o Tejo, eles não deveriam nos julgar. Pois desconfio que quem julga não ama. Quem julga uma intenção, uma atitude, um gosto pessoal, um grau de instrução, uma riqueza de espírito ou uma declaração pública de amor – seja ela meia dúzia de berros no meio da rua, ou seja ela uma publicação num blogue comum – ama um pouco menos a cada observação. Amando menos, retarda sua capacidade de se perceber amado a despeito de, talvez, até ser. O julgamento é quase uma agressão. É como um xingamento. Às vezes, de fato é um. É uma “des-declaração” de amor.
Creio ainda que aqueles que muito crêem em deuses precisam desesperadamente que eles existam para que, um dia, possam vir a ser um. Ser apenas gente é insuportável para algumas pessoas. A identificação com seres fantásticos, incompreendidos e donos de toda sabedoria e razão é mais simples e agradável do que aquela com o sujeito que divide conosco o assento do metrô.
Para mim, certas crenças e a arrogância se confundem, se entrelaçam. O deus que julga o faz de cima de um degrau que eu não consigo ver. Ao redor do rio da aldeia há montanhas, não altares.
Sex, foods, drinks & the city
Junho 4, 2008
Sampa
Junho 2, 2008
Estive por cerca de dez dias enfiada no meio do mato, na fazendona de um amigo, nos cafundós do Mato Grosso do Sul.
Embora o lugar fosse muito próximo à cidade de Bonito quase nada de atrativos turísticos pudemos conhecer. Bonito é, hoje, uma cidade simplesmente turística. As entradas para os rios e para a natureza exuberante têm guichês e cobram, em média, R$80,00 por cabeça!
Chegou um momento em que eu não via a hora de voltar para minha cidade, minha casinha, meus lençóis. Não, a viagem não foi decepcionante. Estávamos em ótima companhia e descansamos bastante. Mas nos últimos dias fez frio demais. E eu detesto o frio! Tanto o da pele quanto o da alma…
Minha vontade de estar em casa me fez lembrar das fotos que o querido Nando Ricci fez da cidade de São Paulo. Fotógrafos bons como ele sabem reproduzir na imagem sentimentos dos mais diversos. Até vertigem se consegue sentir.
Pedi a ele autorização para que pudesse reproduzir aqui alguma de suas fotos. Apesar de carinhosamente autorizada não consegui escolher apenas uma. Por isso, deixo aqui o link para o site dele. As imagens mais emocionantes estão lá. Vale a visita e as futuras “revisitas”.
Arco-íris
Maio 22, 2008
Enquanto Júlia, a podóloga, não me atendia, fiquei distraindo o pensamento na locadora de vídeo ao lado. Enquanto escolhia um belo filme para assistir àquela noite, escutava, involuntariamente, a conversa de uma cliente com o dono do estabelecimento:
- Toda sexta!
E ele dando baixa nos filmes:
- Toda sexta você vai lá? Como é o nome mesmo?
- É “The week”. Tê, agá, ê, dábliu, ê, ê, tipo, dois ês, ká.
Entediado, o proprietário roqueiro (mais roqueiro do que proprietário), fingia interesse:
- E que som toca?
Ela, loura, lisa, maquiada, de roupa preta brilhante, com a bolsa no braço e a chave do Eco Sport na mão:
- Na sexta passada o DJ tocou muuuuuita Madonna, mas era, tipo, daquela época em que ela era mais legal, sabe? Do Like a Virgin… Não sei se você gosta, mas eu adoooro!!!
- Gosto, gosto…
Eu já havia escolhido meu filme, mas não quis interromper o papo, embora pudesse ver nos olhos dele uma súplica para que o fizesse. Ela prosseguia:
- O único problema dessas casas é que estão sempre cheias de gays. Nãããooo… Nada contra, eles são super engraçados e tal, mas é que às vezes a gente quer ficar entre semelhantes, né? Pô, a gente chega num cara, aí vai ver: ele é gay! Sacanagem né?
Virando-se para mim, o roqueiro pergunta:
- Vai levar “Piaf”? Boa escolha! É muito bom!
E ela:
- Mas também, já aconteceu de um cara chegar em mim e eu ficar na dúvida se era gay ou não. No final das contas era daquele tipo que gosta dos dois, sabe? Aí não dá, né? Hahahahahá! Imagina?
- O “Piaf” você devolve amanhã, tá? Não quer mais nada? Tem esse novo com a Angelina Jolie. A turma tem gostado.
- Pô, eu fico pensando… A balada é super legal, sabe? O som é bom, o DJ é demais! A Madonna da semana passada foi o “must”! Mas demais mesmo, sabe? O ambiente é bom, só tem gente bonita… Mas só tem balada assim para gays! Pôxa, porque não fazem uma balada dessas prá gente normal? Não é mesmo? Pô, gente normal também gosta disso!
Gente normal???? Ô sua animal, você está ouvindo o que você está falando?
Claro que eu não disse isso. Apenas pensei. Mas o clima esfriou. O roqueiro me olhou assustado. Fizemos caras de espanto e só a doida não percebia o que estava acontecendo ali.
- Você vai adorar “Piaf”. Mas também, com essa história de vida, não dá prá sair um filme ruim….
- É, acho que eu vou gostar… Agora deixa eu correr que a Bia já deve estar me esperando. Hoje a gente comemora um ano de casadas!
- Parabéns! Mande um beijo prá ela!
- Obrigada! Até amanhã!
Não existe nenhuma Bia, mas podeira existir, não é? Pelo menos, envergonhada a moça ficou. Vai pensar melhor antes de ficar falando bobagem por aí. Espero.
Boa parada a todos no domingo!
Jabá
Maio 16, 2008
Domingão de sol, depois da macarronada da sogra, nada melhor que curtir a fineza da bossa nova na voz de grandes intérpretes.
O show Bossa Nova na Garoa comemora o jubileu de ouro da bossa em grande estilo: juntos no mesmo palco, Orquestra Arte Viva, Banda Mantiqueira, Roberto Menescal, Toquinho, Demônios da Garoa, Os Cariocas e outros.
Apareçam! Vai ser demais!
Bossa Nova na Garoa Domingo, 18 de maio, às 15h Parque Villa LobosLivre, lindo e gratuito!
Sorte, meu amor
Maio 5, 2008
Amo 99% das pessoas com quem já trabalhei um dia na vida. Me considero, por isso, uma pessoa de muita sorte. O 1% fica por conta de umazinha meio boba, fura-olho, puxa-tapete que, oxalá, talvez já nem seja mais assim.
Por esses dias recebi uma mensagem de uma dessas pessoas amadas. A Rosinha foi minha chefe no início da minha carreira, numa época em que eu sabia ainda menos do que sei hoje sobre TV e produção (acreditem, houve um dia assim).
Competente e funcionária leal, a Rosa tinha um grande problema: misturava vida pessoal com vida profissional com muita facilidade. Criava desafetos com isso. Passou por um período complicado na vida e recentemente se reergueu com classe e dignidade fazendo o que sempre fez: boa produção, amigos e inimigos.
Foi com a Rosa que eu aprendi a lidar com chefia, equipe e trabalho. Foi com a Rosa que eu aprendi, especialmente, a trabalhar de mãos dadas com os colegas. O quarteto Dani-Babi-Vi-Van é, querendo ou não, fruto de uma Rosinha dedicada, engraçada, incoerente e total e absolutamente passional.
Depois dela, veio a Aléxia, outra mestra, outra paixão! Merecedora, também, de um post próprio. Sim, de fato, sou uma pessoa de sorte!
De virada 3
Abril 28, 2008
De virada 2
Abril 24, 2008
Amigos, insisto em convidá-los para participar da quarta edição da Virada Cultural.
A produção não está medindo esforços para que tudo corra bem e para que o público tenha acesso à “crème de la crème” da cultura nacional em 24 horas incessantes de lindos espetáculos.
Se vocês forem, passem lá no Piano na Praça. Estarei por lá…
Jabá
Abril 18, 2008
Recebi um email de um amigo que está angariando votos para um outro amigo, inventor, em um concurso de invencionices. Como eleição é coisa séria fui pesquisar sobre o que está sendo votado e posso dizer que o cara ganhou minha aprovação.
Ele inventou uma cadeira de rodas que sobe escadas! Mas não é apenas uma “pardalzice”. O projeto dele é, de fato, muito sério e muito útil para que cadeirantes conquistem mais idependência. Além disso, segundo o cara que me mandou o email, ele passou boa parte da vida estudando muito para desenvolver o protótipo.
Mas como algumas votações não são tão sérias assim, nessa se pode votar várias vezes. Melhor prá ele. Ok, é um quadro do Faustão, mas a projeção que o cara vai ter depois disso compensa o mico. Portanto, por favor, dêem seu crédito e seu apoio. O nome dele é Ary Prado Júnior e sua invenção, repito, é a cadeira de rodas que sobe escadas. Votem aqui!
O belo pelo belo?
Abril 15, 2008
Meu querido amigo Marcelo Lucena, o Loiro, me mandou, em 10 de abril – NO ENDEREÇO ANTIGO, MARCELO -, um email que pedia assinaturas para impedir que o artista plástico Guillermo Vargas Habacuc representasse a Costa Rica na Bienal Centroamericana de Arte.
Para quem não se lembra, esse Guillermo foi aquele cidadão que amarrou um cachorro de rua, doente e faminto, numa cordinha e o deixou em exposição numa prestigiosa galeria de arte em Manágua. O cão acabou morrendo de problemas decorrentes da desnutrição.
Numa pesquisa rápida e nada científica me deparei com o argumento do artista: “O que me importa é a hipocrisia das pessoas. Um animal assim vira o centro das atenções quando está em um local onde todos querem ver arte, mas ninguém ligaria se ele estivesse passando fome nas ruas. Nenhum visitante da exposição veio soltá-lo, alimentá-lo, dar-lhe água, ou ligou pedindo ajuda à polícia. O público não fez absolutamente nada. Se o cão não tivesse morrido um dia depois do encerramento da mostra, teria morrido de qualquer maneira nas ruas”.
Não pretendo, aqui, justificar o que ele fez – inclusive, assinei a petição – mas o argumento, admitamos, é consistente. Não consigo nem contar quantos cães famintos e doentes já vi de relance pelas ruas sem tomar nenhuma providência e, pior, ciente de que o destino deles era o sacrifício no centro de zoonoses.
Ao ler o email do Marcelo, imediatamente me veio à mente a imagem da apresentadora Luísa Mel, defensora de poodles, chorando aquele choro de mentirinha, com aquelas lágrimas secas e com aquele biquinho tremeliquento. Que tipo de protesto surte mais efeito?
Outra lembrança que me veio à cabeça foi a daquela fotografia de 1993, que mostrava uma criança sudanesa agonizando de fome enquanto um urubu, ao lado, só esperava que ela morresse para devorá-la. O fotógrafo Kevin Carter ganhou o prêmio Pulitzer de 1994 pela captura da imagem e, naquele mesmo ano, acabou cometendo suicídio.
Os rumores sobre a indicação de Guillermo para participação na Bienal já renderam mais de 2 milhões de assinaturas de protesto. Isso porque ainda são apenas rumores!
Eu, porém, ainda creio no bom senso. Tudo bem… O cara fez merda, mas fez seu estardalhaço, chamou a atenção das pessoas à situação dos cães abandonados, à fome e à miséria como um todo. Papel social da arte, ok… O problema é que nada, nem a finalidade mais nobre, justifica uma crueldade. Ou justifica?
Quem também não acha necessário que Guillermo exponha sua “obra” novamente, por favor, assine aqui.
Falta de juízo
Abril 9, 2008
Desde o início dos fatos venho dizendo, nas conversas informais, cotidianas, que é um absurdo o que estão fazendo com o casal – pai e madrasta da menina Isabella, que foi atirada pela janela do prédio.
Agora, com a repercussão das investigações e com a divulgação do tal vídeo do mercado estou convencida de que todo esse fuzuê não passa de uma grande egotrip de um promotor que, ao invés de justiça, deseja promover-se a si mesmo.
Só uma mente muito fantasiosa – de alguém que anda assistindo a muitos episódios de Law & Order – é capaz de colocar o pai como principal suspeito da morte da filha e insistir nisso pedindo até a prisão do casal.
Esse pai e essa madrasta estão há dias, longe dos filhos mais novos e foram privados, inclusive, de ir à missa de sétimo dia da garota. Um trauma familiar que transcende a própria morte de Isabella.
Parafraseando Barbara Gancia, aposto um picolé de limão que o casal é inocente e que esse promotor injusto e vaidoso um dia terá o que bem merece.
De virada
Abril 3, 2008
No ano passado, munida de uma utilíssima credencial, percorri todos os palcos da Virada Cultural acompanhada pelo Zé Mauro – o cara.
Passamos boa parte da madrugada assistindo às apresentações nos backstages e correndo de estilo em estilo feito loucos.
O Zé é o organizador da coisa toda. E é impressionante o trabalho que ele faz nessa época do ano. E não pensem que ele conta com uma puta equipe. Aliás, é uma puta equipe, mas é também uma equipe muito pequena.
Ele nos mostrava as atrações como se aquilo fosse uma festa no quintal da casa dele. Eram mais de trezentos espetáculos e ele sabia, de cor e salteado, tudo o que ocorria em cada um dos palcos, em cada canto daquele centro, em cada teatro da periferia!
Estávamos no palco dos Racionais quando começou o tal do tumulto tão divulgado pela mídia. Mano Brown pedia calma, mas sem interromper o show, pois, dali de cima, se percebia que a agitação era um fato isolado. Fazendo uma grossa comparação: imagine um rosto bem redondo. Imagine uma espinha no canto direito da testa. O tumulto era a espinha e o resto do rosto era o público que se divertia. A espinha subiu na banca de jornais, quebrou a porta de um comércio e foi rapidamente contida. No entanto, meus colegas da grande imprensa não mediram esforços para exagerar os fatos como lhes convinha.
Esqueceram de dizer que, tecnicamente, tudo correu inacreditavelmente bem! Não ocorreram atrasos ou faltas. Nem um único cabo de som ou peça de iluminação deu pau e todos os artistas se apresentaram com emoção e boa vontade. Dados como o número de pessoas (3 milhões) que assistiram aos grandes nomes da música, da dança e do teatro foram omitidos e a Virada Cultural de 2007 ficou marcada por aquele lamentável episódio.
A edição desse ano – que acontece nos dias 26 e 27 de abril, das 18h às 18h – contará com mais de 350 atrações e terá reforço na segurança. A programação está impecável! Tudo tão bem pensado, tão bem costurado que é difícil imaginar que a produção conta com apenas uma meia dúzia de produtores apaixonados.
Recomendo que todos compareçam, que passeiem pelo centro, que percorram os palcos. Foi uma experiência incrível que eu pretendo repetir, curtindo muito, cada segundo.
Tenho certeza de que nesse ano, meu amigo Michum estará lá comigo na memória, na emoção. Aquela foi nossa última balada juntos. E foi incrível! Uma lembrança tatuada!
Confiram a programação completa aqui.
A melhor opção
Março 30, 2008
Na edição eletrônica do Observatório da Imprensa, de 26 de março , o jornalista Renato Pompeu – macaco velho, daqueles que já sabem tudo – concedeu uma entrevista à colega Ana Luíza Moulatlet em que, depois de dar suas impressões sobre o jornalismo em geral, respondeu à seguinte pergunta:
Ana Luíza: Que conselhos você daria para alguém que está começando no jornalismo?Pompeu: 1) Abandonar imediatamente a profissão e escolher outra. 2) Se não for possível isso, tentar se estabelecer por conta própria na internet, com patrocínio próprio que não interfira na sua independência. 3) Se isso também não for possível, tentar manter a dignidade profissional e preparar-se para uma vida de sacrifícios.
Ufa! Achei que eu é que estava ficando louca!
Dias de fúria
Março 28, 2008
Como boa paulistana odeio o trânsito da minha cidade. Cruzo meia São Paulo todos os dias para chegar à faculdade e, invariavelmente, demoro muito. Segundo cálculo do Google Maps, 13 quilômetros separam a USP da minha casa e, ainda segundo esse orientador maluco, essa distância deveria ser percorrida em 25 minutos, contando com trânsito!
Balela! Demoro, no mínimo 50 minutos para chegar lá às 18h30. Isso porque uso os túneis. Imaginem se eu tivesse que pegar a marginal? Além disso, fico neurótica com a possibilidade sempre iminente de um assalto e quero matar um quando sou fechada por um grande e covarde ônibus.
Tenho acompanhado – sem muita atenção, confesso – o que tem saído na imprensa a respeito desse assunto. Há, segundo as agências de notícias, quem perca 6 horas por dia no trânsito! E os últimos noticiários têm se esforçado para ressaltar quebras de recordes de congestionamentos numa torcida quase organizada para que a coisa piore ainda mais.
Em meio a esse “vucovuco” da imprensa nosso prefeito começa ter idéias… Uma delas é expandir, em horário e dias, o rodízio de veículos. Eu já acho rodízio um saco, pois, embora me envergonhe um pouco disso, sou uma motorista inveterada. Pessoalmente, não sei se uma expansão do rodízio seria realmente útil.
Vejamos: levo 50 minutos para ir à faculdade de carro. Nos dias de rodízio teria que usar ônibus, pois não há metrô próximo à USP. Com o rodízio do jeito que está eu passaria uns 100 minutos espremida no busão para chegar ao meu destino. Com o novo rodízio, porém, contando com um possível alívio no tráfego, creio que, de ônibus, eu chegaria à cidade universitária em … deixa eu ver, desce o um, noves fora … uns 80 minutos. Vantajoso, sem dúvida para o usuário de transporte público, mas uma opção horrível, péssima, terrível, para que usa carro.
Outra idéia dos especialistas da prefeitura para desafogar o trânsito é aumentar o número de faixas exclusivas para os ônibus. Acho válido o transporte público ter uma faixinha só dele, mas enfrentamos aí alguns problemas: são raros os motoristas de ônibus que são gentis e permanecem exclusivamente em seu espaço. Além disso, medidas como essas, no Brasil, obedecem, na maioria das vezes, às regras do improviso. Na Ibirapuera, por exemplo, a faixa exclusiva fica no meio da avenida. Quando ela acaba, todos os coletivos têm que mudar abruptamente de faixa, se jogando em cima dos carros e das motos, para poderem virar à direita e seguir em direção ao metrô Santa Cruz. Resultado: um corredor de ônibus que piorou muito o trânsito – dos carros, que fique claro – na região.
Posso estar sendo intolerante, mas acho injusto as melhorias terem como único alvo os usuários de transporte público, pois motoristas também estão sofrendo – e muito – com a lentidão do tráfego da cidade.
Medidas isoladas e de curto prazo, que priorizam atender às cobranças eleitorais ao invés de satisfazer as necessidades da população (toda ela) de forma justa e coerente, desgastam nossa paciência e acabam com o nosso humor. Não há ar condicionado ou musiquinha que vença todo esse esforço!
São Luciano
Março 22, 2008
Tudo acontece com ele. Quando se falava na violência do Rio, da matança no morros, dos arrastões e seqüestros, foi o rolex de Luciano Huck que chamou a atenção de todos para o fato de que, em São Paulo, a coisa não é tãããão diferente assim.
Jornais escreviam editoriais, o próprio apresentador escreveu um manifesto que deu origem a respostas, às vezes raivosas, de alguns setores da sociedade que consideravam que o grande desaforo nessa história toda era ter o relógio e não o roubo do acessório.
O Fantástico, na época, produziu uma matéria que esmiuçava o comércio ilegal de rolexes desde o roubo até a venda lá no centro da cidade. A polícia esbravejou que aquilo era um fato isolado e que em Sampa estava tudo bem…
Agora, Huck contraiu dengue! Em meio a centenas de notícias, publicadas dia a dia, sobre o surto da doença na cidade do Rio de Janeiro, o apresentador foi sorteado com a mordidinha do mosquito.
No mesmo dia já pipocam matérias no noticiário apresentando todos os números cabíveis das estatísticas. Agora sim temos que nos preocupar! Oh, Céus! Luciano Huck tem dengue! O que será de nós? Adivinha qual será a grande matéria-denúncia do Fantástico desse próximo domingo? Já estou até vendo: vinte minutos de estatísticas, câmera escondida, personagens, trilha tensa e Dr. Dráuzio explicando os sintomas, limpando pneus velhos, jogando areia nos vasinhos…
Por fim, o governo federal vai injetar uma quantia, o Ministério da Saúde vai elaborar um plano de emergência e a incidência de dengue vai diminuir.
Tá vendo? Depois dizem que esses milionários apresentadores de TV não prestam serviços à comunidade. Que injustiça!




